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“As lágrimas estão rolando por meu rosto, como se fossem ácido, vão corroendo, estou morrendo de vez? Me chamam, porém não consigo responder. Ouço tua voz de anjo, desesperada dizendo “Fique!” você exigia, eu queria gritar “Sim, pra sempre enquanto quiseres” mas não há forças, e também por mais que eu quisesse não poderia ficar, sei que estou partindo, tenho que preparar-te para à dor. Sempre lhe disse que seria mais fácil se não se importasse, eu já sabia que partiria pronto, mas tu não ouvia meus avisos, foram todos em vão. Mas eu te avisava, porque te amo e não suportaria te ver sofrendo por minha partida, porém também sabia que eu não era forte pra aguentar toda a dor que estava por vir. E aqui estou, estirada ao chão entupida de veneno, morrendo, te fazendo sofrer, assim como eu já havia imaginado. Mas em minha imaginação a morte não era tão dolorosa, era tranquilizadora e muito rápida.. já à realidade é oposto, os últimos minutos de minha vida estão se arrastando, tua voz é a unica coisa que procuro ouvir, queria levantar, e sussurrar ao teu ouvido “Fica bem, eu te amo” mas eu não tinha forças para isso, meu corpo está pesado demais, e minha voz não sai. Estou sufocada, queria gritar, pedir socorro. O que eu fiz para merecer uma morte tão demorada? O choro está acabando.. se transformara em suspiros, tentativas de respiração em vão. Me falta o ar. A morte então é assim? A ausência de tudo? Se eu soubesse disso antes.. teria escolhido enfrentar a dor, ao menos viva eu tinha você ao meu lado, pelo menos não me ausentava tudo. Eu estava segurando tua mão agora, com o resto de forças que sobrava, mas.. não havia mais forças de sobra, não havia força alguma, aliás.. Então, aos poucos fui soltando tua mão e você gritando “Não, não se vá.. eu te amo” porque me torturas? Eu já não posso mais ficar aqui contigo, queria poder falar-te. Comecei lutar contra o sufoco que havia em minha garganta e em um único suspiro que me foi dado, disse “lembre-se que te amo”. E tudo se apagou, para sempre.”
— O último sussurro

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“Eu poderia muito bem desistir de você agora, poderia decidir te esquecer de vez e não voltar mais atrás. Porém não.. sei que nada foi em vão, nada será em vão. Tanto tempo te amando, sofrendo, chorando, passando noites em claro viajando olhando tua fotografia, pra desistir agora, jogar tudo no lixo como se não tivesse valido nada. Podem anotar aí, ainda vamos entrar juntos na igreja, e de preferência pra casar. Vamos ainda educar nossos filhos, mimar, amar. Teremos dois, um menino e uma menina, seremos os pais mais corujas do mundo inteiro, ensinaremos eles a gostar de rock, e torcer para nosso time. Iremos passar tardes assistindo filmes, noites assistindo jogos, seremos um casal nada normal. Amor nunca irá falta, meu bem. Sei que ainda serei eu a ser chamada de “minha princesa” “meu amor”, por ti. Pois bem sei que Deus nunca faria-me amar alguém por tanto tempo e tão intensamente se não fosse pra valer à pena no final. Cada lágrima de agora corresponderá a dez sorrisos no futuro. ...
“Ainda ouço teus passos calmos vindo em minha direção, querendo me pegar de surpresa.. você sempre achou engraçado me assustar. Lembro do teu sorriso sofrido que segurava as lágrimas enquanto dizia que me amava, sim isso era verdadeiro. O brilho dos teus olhos adorava iluminar meu dia. Trazia-me rosas, e eu dizia que era clichê porém amava.. rosas brancas e vermelhas, eu implicava. Me lembravam ao flamengo, e como alguém pensaria em dar rosas flamenguistas à uma corinthiana? Você ria da minha conclusão doida, me chamava de louca. Você sempre com esse teu cabelo arrumadinho, eu sempre tentando estragá-lo pra ver você choramingar e falar que isso era algo que se demorava para arrumar.. fazia-me rir como ninguém nunca conseguia fazer. As pessoas que me cercavam sempre comentavam “como mudastes, ele te faz um bem danado” e elas estavam certas, botas-te um sorriso nesse meu rosto sempre tristonho. Eu que sempre gostei da doçura, acabei me acostumando com esse teu cheiro de menta, hortelã....